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Entre luto, memória e humor, romance de estreia de Julieta Correa transforma a experiência da perda em literatura

 NO PRELO 
23/12/2025  

Publicado originalmente na Argentina em 2024, Por que são tão lindos os cavalos? marca a estreia literária de Julieta Correa e nasce no encontro delicado entre diário e romance, fato médico e invenção literária, ausência e permanência. O livro constrói sua narrativa a partir do diálogo entre as anotações da autora e os diários de sua mãe, Sari — mulher de letras, atravessada por uma doença sem nome que vai apagando, pouco a pouco, suas faculdades, sua voz e sua presença cotidiana.

Enquanto acompanha o avanço da enfermidade, a filha registra também o peso da pandemia, do confinamento, do trabalho e dos silêncios que passam a ocupar o lugar das palavras. O que se forma diante do leitor é um livro sem pressa e sem plano aparente, que vai tomando corpo à medida que avança, entre crônicas da vida de bairro, fragmentos íntimos e um “léxico familiar” que tenta preservar aquilo que insiste em desaparecer.
Aos poucos, a doença deixa de ser apenas apagamento e passa a funcionar também como revelação. Revela a dimensão humana de quem sofre e, no caso de Sari, expõe uma lucidez recorrente em seus diários: a percepção da fragilidade da experiência humana, na origem tanto de sua tragédia quanto de sua beleza. Em Por que são tão lindos os cavalos?, Julieta Correa transforma o luto em linguagem — e a memória, em literatura.

Editora 34
208 páginas

No prelo: Correspondência inédita revela os bastidores do Boom latino-americano

 DIVULGAÇÂO 
09/11/2025

Entre os anos 1950 e 1970, a literatura latino-americana passou de periferia a centro do mapa mundial. Foi o período em que Cortázar, Fuentes, García Márquez e Vargas Llosa se tornaram nomes incontornáveis — não apenas por seus livros, mas pela energia intelectual e política que os aproximou. Agora, As cartas do Boom reúne a correspondência trocada pelo quarteto e oferece uma chave rara para observar esse processo por dentro.
Longe da versão mitificada de “explosão espontânea de talentos”, as cartas revelam uma constelação movida por afinidades estéticas, ambições, tensões ideológicas e cumplicidade afetiva. Há bastidores de criação, dilemas editoriais, debates sobre golpes militares, repercussões do impacto de Cem anos de solidão, projetos de férias compartilhados, e também fraturas — solidariedade e conflito na mesma mesa.

Mais do que registro biográfico, As cartas do Boom permite reconstruir a pré-história e a engrenagem íntima de um dos fenômenos literários mais decisivos do século XX. Um acervo epistolar que ilumina não só como esses autores escreveram obras que mudaram o curso da literatura, mas também como imaginaram o papel do escritor latino-americano diante de um mundo em convulsão permanente.


Editora Record
590 páginas