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No prelo: Correspondência inédita revela os bastidores do Boom latino-americano

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09/11/2025

Entre os anos 1950 e 1970, a literatura latino-americana passou de periferia a centro do mapa mundial. Foi o período em que Cortázar, Fuentes, García Márquez e Vargas Llosa se tornaram nomes incontornáveis — não apenas por seus livros, mas pela energia intelectual e política que os aproximou. Agora, As cartas do Boom reúne a correspondência trocada pelo quarteto e oferece uma chave rara para observar esse processo por dentro.
Longe da versão mitificada de “explosão espontânea de talentos”, as cartas revelam uma constelação movida por afinidades estéticas, ambições, tensões ideológicas e cumplicidade afetiva. Há bastidores de criação, dilemas editoriais, debates sobre golpes militares, repercussões do impacto de Cem anos de solidão, projetos de férias compartilhados, e também fraturas — solidariedade e conflito na mesma mesa.

Mais do que registro biográfico, As cartas do Boom permite reconstruir a pré-história e a engrenagem íntima de um dos fenômenos literários mais decisivos do século XX. Um acervo epistolar que ilumina não só como esses autores escreveram obras que mudaram o curso da literatura, mas também como imaginaram o papel do escritor latino-americano diante de um mundo em convulsão permanente.


Editora Record
590 páginas

No prelo: Macbeth ganha nova tradução pela Penguin e reafirma seu lugar como drama definitivo sobre ambição e poder

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07/11/2025

Um trio de bruxas, uma profecia e o início de uma espiral de violência que atravessou séculos. Macbeth, peça central da dramaturgia de William Shakespeare, retorna agora em edição da Penguin Companhia — e segue fascinando leitores por suas camadas de perversão, culpa e delírio político.
A trama começa quando Macbeth e Banquo, generais do exército escocês, são abordados por três bruxas que anunciam o futuro: Macbeth será rei. Aquilo que parece uma visão distante desencadeia uma cadeia de assassinatos, paranoia e usurpação, transformando o campo de batalha em palco íntimo de ambições e neuroses.

Nesta edição, a peça ganha fluente tradução de Lawrence Flores Pereira, além de uma introdução de Carol Rutter que recoloca Macbeth em seu contexto histórico e teatral, e um posfácio de Régis Augustus Bars Closel dedicado a discutir a autoria do texto.

Séculos após sua estreia, Macbeth permanece um dos pontos mais altos da literatura ocidental — muito por conta da figura que continua a magnetizar intérpretes e leitores: Lady Macbeth, talvez a mais complexa e inesquecível mulher criada por Shakespeare.


Penguin-Companhia
192 páginas


No prelo: Barão decadente retorna à cidade natal em alegoria apocalíptica do Nobel de Literatura

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06/11/2025

Publicada em 2016 e apontada como o fecho de um ciclo criado em Sátántangó, O retorno do Barão de Wenckheim chega ao Brasil como o romance que consagra o autor húngaro ao seu delírio final: uma parábola feroz sobre ilusões políticas, colapso social e o esgotamento de qualquer promessa de redenção.
Depois de décadas na Argentina e afundado em dívidas de jogo, o aristocrata Béla Wenckheim retorna à sua remota cidade natal, uma comunidade coberta de poeira e ressentimentos. Os habitantes, entregues a delírios messiânicos, projetam nele a figura de um salvador. Mas o que volta é apenas um homem cansado, cujo único desejo é reencontrar o amor da juventude. 

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“O que pode acontecer quando a linguagem é levada além das regras que ela própria estabelece.” (Colm Tóibin) 


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Entre vigaristas de ocasião, uma gangue de motociclistas e um professor recluso que observa o mundo ruir com terror e ironia, o romance monta uma polifonia vertiginosa — riso, devastação e grotesco em proporções literárias raras. 

O júri do Nobel definiu a obra como “visionária e arrebatadora”, capaz de reafirmar “o poder da arte” mesmo em meio ao apocalipse. Susan Sontag já havia dito: o autor é “o mestre húngaro do apocalipse”. Aqui, ele entrega seu testamento ficcional.


Companhia das Letras
512 páginas

No prelo: Ana Terra ganha edição especial e reafirma a força de uma das personagens mais marcantes de Erico Verissimo

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03/11/2025 
RES
Segunda metade do século XVIII, interior do Rio Grande do Sul. Ana, única filha mulher da família Terra, conhece desde cedo uma vida de trabalho duro: lida com colheita, tarefas domésticas e a ameaça permanente de invasões às terras. Nada parece lhe dar margem para imaginar outro destino — até que encontra, ferido à beira de um riacho, o misterioso Pedro Missioneiro, mestiço criado em uma missão jesuítica. Esse encontro acende a fagulha que transformará por completo sua trajetória.
Personagem inesquecível de O tempo e o vento, Ana Terra retorna agora em edição especial. O texto, lançado originalmente dentro de O continente (1949) e depois publicado como volume independente em 1970, atravessou décadas sem perder potência — mais do que um capítulo da formação do Brasil, é um retrato de resistência feminina num território marcado por guerras, disputas de poder e fronteiras ainda por se definir.

No posfácio inédito desta edição, a romancista Morgana Kretzmann destaca Ana como símbolo para mulheres que precisam romper convenções e sobreviver num mundo comandado por homens e seus conflitos. Não apenas personagem histórica, mas presença viva no imaginário literário: uma voz de coragem, esperança e liberdade que continua a ecoar e a conquistar novas gerações de leitores.


Companhia das Letras
168 páginas

No prelo: Bernardine Evaristo revisita a história da escravidão em uma poderosa sátira sobre raça e poder

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02/11/2025 

E se a história tivesse sido escrita ao contrário? Em Raízes loiras, que chega agora ao Brasil, Bernardine Evaristo ― vencedora do Booker Prize por Garota, mulher, outras ― leva essa pergunta às últimas consequências. Publicado originalmente em 2008, o romance imagina um mundo em que a África se tornou o continente dominante do planeta e são os povos europeus que foram submetidos, traficados e escravizados.

A trama acompanha Doris Scagglethorpe, uma menina inglesa de dez anos que vive com a família na zona rural até ser sequestrada e levada por navio à Grande Ambossa. Lá, perde o próprio nome ― rebatizada como Omorenomwara ― e passa a viver sob violência constante, reduzida a propriedade. Enquanto enfrenta abusos físicos, morais e psicológicos, ela alimenta um único desejo: escapar e voltar para casa.


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“Uma história extremamente inventiva que provoca debates importantes, desafiando percepções fundamentais sobre raça, cultura e história.” (Independent) 


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Com ironia, precisão formal e desconforto calculado, Evaristo desmonta hierarquias raciais, expõe o absurdo das justificativas históricas e nos força a olhar de outro ângulo para o que naturalizamos. Raízes loiras não é apenas uma ficção criativa: é um espelho invertido do horror colonial, que devolve ao leitor o estranhamento capaz de revelar a violência que estruturou o mundo que herdamos.


Companhia das Letras
312 páginas