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No prelo: Luanda, Lisboa, Paraíso — Romance vencedor do Prêmio Oceanos

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06/12/2025  

Nos anos 1970, em Luanda, nasce Aquiles — um menino marcado desde o primeiro suspiro. Complicações no parto deixam no corpo uma má-formação que moldará todo o seu destino, inclusive o nome que carrega. A única esperança de cura está em Portugal, numa cirurgia que precisa acontecer antes de seus quinze anos.

À medida que o aniversário se aproxima, Aquiles e o pai, Cartola, embarcam rumo a Lisboa acreditando que a estadia será breve e que, por virem de Angola, seriam recebidos como cidadãos portugueses. O que encontram, porém, é um país que ainda olha para a antiga colônia com distância e preconceito. A viagem provisória se prolonga, e o retorno para casa começa a parecer cada vez mais improvável.

Em Luanda; Lisboa; Paraíso — romance que sucede o celebrado Esse cabelo — Djaimilia Pereira de Almeida reafirma sua força como uma das vozes mais singulares da literatura lusófona. Com delicadeza e precisão, ela narra a experiência da diáspora, a relação entre pai e filho e a persistência humana em buscar afeto mesmo quando tudo à volta aponta para o desamparo.


Editora Todavia
184 páginas

No prelo: Bernardine Evaristo revisita a história da escravidão em uma poderosa sátira sobre raça e poder

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02/11/2025 

E se a história tivesse sido escrita ao contrário? Em Raízes loiras, que chega agora ao Brasil, Bernardine Evaristo ― vencedora do Booker Prize por Garota, mulher, outras ― leva essa pergunta às últimas consequências. Publicado originalmente em 2008, o romance imagina um mundo em que a África se tornou o continente dominante do planeta e são os povos europeus que foram submetidos, traficados e escravizados.

A trama acompanha Doris Scagglethorpe, uma menina inglesa de dez anos que vive com a família na zona rural até ser sequestrada e levada por navio à Grande Ambossa. Lá, perde o próprio nome ― rebatizada como Omorenomwara ― e passa a viver sob violência constante, reduzida a propriedade. Enquanto enfrenta abusos físicos, morais e psicológicos, ela alimenta um único desejo: escapar e voltar para casa.


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“Uma história extremamente inventiva que provoca debates importantes, desafiando percepções fundamentais sobre raça, cultura e história.” (Independent) 


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Com ironia, precisão formal e desconforto calculado, Evaristo desmonta hierarquias raciais, expõe o absurdo das justificativas históricas e nos força a olhar de outro ângulo para o que naturalizamos. Raízes loiras não é apenas uma ficção criativa: é um espelho invertido do horror colonial, que devolve ao leitor o estranhamento capaz de revelar a violência que estruturou o mundo que herdamos.


Companhia das Letras
312 páginas