Entre luto, memória e humor, romance de estreia de Julieta Correa transforma a experiência da perda em literatura

 NO PRELO 
23/12/2025  

Publicado originalmente na Argentina em 2024, Por que são tão lindos os cavalos? marca a estreia literária de Julieta Correa e nasce no encontro delicado entre diário e romance, fato médico e invenção literária, ausência e permanência. O livro constrói sua narrativa a partir do diálogo entre as anotações da autora e os diários de sua mãe, Sari — mulher de letras, atravessada por uma doença sem nome que vai apagando, pouco a pouco, suas faculdades, sua voz e sua presença cotidiana.

Enquanto acompanha o avanço da enfermidade, a filha registra também o peso da pandemia, do confinamento, do trabalho e dos silêncios que passam a ocupar o lugar das palavras. O que se forma diante do leitor é um livro sem pressa e sem plano aparente, que vai tomando corpo à medida que avança, entre crônicas da vida de bairro, fragmentos íntimos e um “léxico familiar” que tenta preservar aquilo que insiste em desaparecer.
Aos poucos, a doença deixa de ser apenas apagamento e passa a funcionar também como revelação. Revela a dimensão humana de quem sofre e, no caso de Sari, expõe uma lucidez recorrente em seus diários: a percepção da fragilidade da experiência humana, na origem tanto de sua tragédia quanto de sua beleza. Em Por que são tão lindos os cavalos?, Julieta Correa transforma o luto em linguagem — e a memória, em literatura.

Editora 34
208 páginas